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sexta-feira, 25 de março de 2016

PMDB do Rio decidiu romper com governo Dilma e apoiar impeachment

Reunião do diretório nacional está marcada para terça-feira

Dia
Rio - A presidente Dilma Rousseff recebeu nesta quinta-feira um duro golpe do PMDB, comandado pelo vice-presidente Michel Temer. Apontado como uma trincheira pró-Dilma até a semana passada, o PMDB do Rio de Janeiro pretende votar a favor do desembarque do partido do governo em reunião do diretório nacional marcada para a próxima terça-feira. Essa decisão dificulta a derrubada do processo de impeachment de Dilma em tramitação na Câmara.Com 69 deputados federais, o PMDB é a maior bancada da Câmara e hoje comanda sete ministérios na Esplanada.
Eleito para liderança do PMDB na Câmara com a ajuda do Palácio do Planalto, o deputado Leonardo Picciani (RJ) deverá ser um dos poucos votos contrários ao rompimento com o governo. O ministro da Ciência e Tecnologia, Celso Pansera, é outro voto apontado como favorável à permanência na base aliada. Mas os outros dez representantes do Rio no diretório nacional deverão votar pela saída do governo.
A decisão de romper com o governo foi comunicada ao vice Michel Temer pelo presidente do PMDB do Rio, deputado Jorge Picciani, que é presidente da Assembleia Legislativa (Alerj). Os dois se encontraram anteontem no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, onde foram visitar o governador Luiz Fernando Pezão, que foi diagnosticado com câncer. Nas eleições de 2014, a família Picciani fez campanha para o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves (MG).
Integrantes do diretório nacional, o governador Pezão, o prefeito Eduardo Paes e o ex-governador Sérgio Cabral não irão ao encontro. Serão substituídos por suplentes. Paes, que depende da parceria com o governo federal para a Olimpíada, não quer se expor. Entre os que votarão pelo rompimento, estão o ex-ministro e ex-governador Moreira Franco e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. 

PMDB do Rio decide romper com governo Dilma e apoiarimpeachment
Foto: Arte O Dia
O argumento para a saída do governo será de que a presidente Dilma não é capaz de liderar um movimento para tirar o país da crise. Também sustentarão que o mais importante é garantir a unidade do PMDB, que tem mostrado clara tendência pelo rompimento. Os peemedebistas fluminenses evitarão associar o rompimento a uma tendência a favor do impeachment da presidente, embora entendam que o avanço das investigações da Operação Lava Jato tenha tornado muito difícil a defesa de Dilma no processo em curso na Câmara.
“Não queremos misturar rompimento e impeachment neste momento. Vamos dizer que continuamos a respeitar a presidente, mas que deixamos o governo para manter a unidade partidária. Vamos sair, mas não vamos fazer alarde”, disse um peemedebista fluminense com voto no diretório nacional.
A temperatura política entre Dilma e Temer subiu ontem com a exoneração do presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Henrique Pires. Aliado do vice-presidente, Henrique afirmou que sua demissão do cargo foi uma “retaliação” ao PMDB.
“A minha saída é uma retaliação ao PMDB e não ao Temer, pois a Funasa era um cargo do partido. Nem o ministro Marcelo Castro foi avisado”, disse Henrique Pires, que ficou no cargo um ano e 11 meses. “Soube da minha exoneração nesta quinta-feira por telefone do Palácio do Planalto. Não foi surpresa, pois já tinha colocado à disposição meu nome. Não podia continuar, devido às mudanças que estavam ocorrendo sem minha autorização”, explicou.
Nesta quinta-feira, depois da demissão de Henrique sair no Diário Oficial da União, o vice Michel Temer cancelou a viagem que faria a Portugal no início da próxima semana. Ele iria participar de evento que reuniria líderes da oposição, como os tucanos Aécio Neves e José Serra, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que vem dando decisões contra o Planalto. Temer atendeu a um apelo de correligionários do PMDB para ficar no país e participar da reunião do partido que vai bater o martelo sobre o desembarque do governo Dilma.
Os peemedebistas com assento na Esplanada dos Ministérios resistem, no entanto, a romper com o governo. É o caso do ministro da Saúde, Marcelo Castro (PMDB -PI), que defendeu ontem a permanência do partido na base aliada. “O PMDB tem sido, ao longo da história, o partido da estabilidade, governabilidade e previsibilidade. Não é perfil, não está no DNA do PMDB, no momento que o país precisa, o partido virar as costas para o país. O momento agora é que o país mais precisa do partido”, afirmou Castro.
A jornalistas estrangeiros, Dilma diz que Lula participará do governo
Em entrevista a seis jornais estrangeiros, a presidente Dilma Rousseff afirmou que o ex-presidente Lula vai participar de seu governo de qualquer forma, seja como ministro ou assessor.“Ou ele vem como ministro ou vem como assessor, de uma maneira ou de outra. Vamos trazê-lo para ajudar o governo. Não há como impedir”, disse a presidente.
Na entrevista, Dilma afirmou ainda que não é uma mulher fraca. Ela insistiu que não há justificativa legal para o impeachment e que qualquer tentativa de tirá-la do poder ilegalmente deixaria cicatrizes profundas na democracia brasileira. Aos correspondentes internacionais, a presidente Dilma disse que a paz vai reinar no Brasil quando a Olimpíada começar. 
A presidente também repetiu que não irá renunciar e afirmou que qualquer tentativa de tirá-la do poder sem justificativa legal seria golpe. “Por que eles querem que eu renuncie? Por que sou uma mulher fraca? Não, eu não sou”, afirmou Dilma. Ela explicou que seus rivais políticos querem que ela renuncie para “evitarem a dificuldade de a removerem de forma injustificável, ilegal e criminosa”. Na entrevista, Dilma também lembrou que Eduardo Cunha, que deu início ao processo de impeachment, é réu por corrupção. 
A presidente deu entrevista para o “El País” (Espanha), “The New York Times” (EUA), “The Guardian”, “Le Monde” (França), “Página 12” (Argentina) e “Die Zeit” (Alemanha).
Temer desiste de viagem para garantir rompimento com Planalto
A oferta de cargos no governo para dividir a base aliada no Congresso obrigou o vice-presidente Michel Temer a cancelar sua viagem a Portugal. Ele quer garantir uma vitória expressiva na reunião do diretório nacional do PMDB, marcada para terça-feira, em que deve ser oficializado o rompimento do partido com a presidente Dilma Rousseff, passo considerado fundamental para o impeachment da petista.
No Brasil, Temer irá atuar nos bastidores para garantir uma vitória folgada na reunião do diretório. O grupo do vice acredita que pode conseguir 75% de apoio a favor do rompimento. O diretório é integrado por 119 membros, das 27 unidades da federação. 
Em Portugal, Temer iria participar de seminário organizado pelo Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), de propriedade do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.
Segundo o jornal português ‘Público’, o evento que iria reunir Temer e os principais nomes da oposição brasileira em Lisboa estava “assustando” os políticos locais. O jornal destacou que o fato de a maioria dos convidados para o seminário ser de nomes a favor do impeachment da presidente Dilma pôs em dúvida a participação do presidente de Portugal, Marcelo Rabelo de Souza, que faria o discurso de encerramento do evento. O seminário acontece entre os dias 29 e 31 de março.

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